sábado, abril 12, 2008

Capitulo 14 - Homenagem a minha mãe


Chiyoko Sato, nasceu em Gunma, Japão, em 1913. Formada em Enfermagem, casou-se com Takashi Maruoka ainda no Japão e chegaram no Brasil em 1934. Ela estava com 21 anos.

O casal se estabeleceu em Uaicurapá, município de Parintins, Amazonas, na Colônia de Andirá, onde morou alguns anos. Eu e o Yuji nascemos nesse lugar. Depois a família foi residir na ilha de S. Benedito, onde nasceu o Eduardo.

Em 1940 meu pai adquiriu um terreno na ilha do Touro no município de Juruti, no Pará, onde construiu a nova residência. Essa propriedade recebeu o nome de Beija Flor. Nesse lugar nasceram os outros filhos: Togo, Adercy, Roberto, Iracema, Fernando e Terezinha.

Em 1955 se mudaram para Boa Vista, ainda no Pará, e em 1978 vieram morar em Belém, também no Pará.

Desde que minha mãe chegou em Uaicurapá, interior de Parintins, era chamada para atender todas as senhoras nos trabalhos de parto. Para realizar esses trabalhos ela não media esforços e a qualquer hora e em qualquer distância ela ia atender. Muitas vezes precisava andar quilometros e as vezes durante a noite. Esses atendimentos ela realizou não só em Uaicurapá como em Juruti. Ela não se lembrava de quantas crianças ajudou a nascer, foram muitas.

Minha mãe era uma pessoa simples, batalhadora e tinha uma vitalidade muito grande.

Os primeiros ensinamentos que recebemos foram dados por ela. Ela usava de todos os meios e recursos que dispunha, com muita sabedoria e muita paciência e por essa razão todos os seus filhos quando passaram a estudar nos grupos ou escolas, não sentiram dificuldades e eram bem sucedidos.

Por falta de escolas com cursos mais adiantados, os filhos tiveram que estudar em outras cidades como, Obidos, Santarem, Belem ou Manaus. Nas férias escolares, os estudantes normalmente voltavam para casa.

Era ela quem fazia comida, lavava a roupa suja, atendia a venda e ainda preparava a roupa nova dos estudantes. Ela não tinha sossego. Férias escolares para ela significava mais trabalho. Ela era incansável.

Dona Tioca, como era conhecida, normalmente era calma, tranquila e serena mas com sete filhos homens e duas mulheres as vezes perdia a paciência e dava cada bronca e o mais visado era o Eduardo porque era o mais safado. O Yuji fugia sempre e o Togo era o mais comportado. Eu tambem era comportado.

Ela lembrava que apenas uma vez eu recebi um castigo severo. Ela contava que nas enchentes do Rio Amazonas a maior preocupação era com as crianças que poderiam cair na água e serem arrastadas pela correnteza. Ela ficava sempre atenta, principalmente com os menores.

As grandes enchentes cobriam os terrenos de varzea e a comunicação entre as casas era feita atraves de pontes feitas com taboas. As vezes as crianças perdiam o equilibrio e terminavam caindo na água. Varias vezes ela teve que pular na água para socorrer as crianças menores. Nessas horas ela não pensava duas vezes e do jeito que estava ela pulava na água. Ela era muito corajosa e valente. Ela não sabia nadar. Por causa desse perigo papai nos ensinava a nadar bem cedo.

Em 1978 quando mamãe já estava com 65 anos, depois de ter levado uma vida de muito trabalho e muito sacrificio, com o apoio dos filhos, todos bem estabelecidos profissionalmente, ela e papai se mudaram para Belém e se dedicaram quase que exclusivamente a religião Tenrikyo, que já possuia a Igreja Tenrikyo da Amazônia, uma igreja grande e bonita, localizada no km. 3 da BR 316, no municipio de Ananindeua. Montaram em sua residência um centro de oração e passaram a celebrar mensalmente uma missa.

Nesses acontecimentos mensais, todos os membros da familia Maruoka e amigos passaram a se reunir para assistir a missa e ao mesmo tempo realizar uma confraternização.

Minha mãe até o último instante de sua existência, foi uma pessoa lucida e em sua memoria estava todas as respostas que necessitavamos no presente, sobre o nosso passado.

O seu ocultamento físico que ocorreu no dia 09/08/2006, deixou um vazio muito grande e está fazendo uma falta enorme, mas, certamente ela com o esposo Takashi estão velando por todos nós e também nos protegendo.