sábado, agosto 12, 2006

Capitulo 9 - Barco motor Beija Flor



Papai comprou essa embarcação na década de cinqüenta. Comprou de um regatão de nome São Cláudio que fazia negócios com papai. Esse barco foi construído em Abaetetuba, no Pará. Tinha um motor diesel de 4 tempo, 10 HP, de marca Hallet. Tinha o nome de Guanumbí e papai mudou para Beija Flor. No inicio funcionou muito bem mas depois começou a apresentar problemas na máquina. Não podiamos fazer uma viagem sem dar prego, era preciso consertar o motor. As vezes voltávamos rebocado. Era um problema.

Alguns anos depois, papai e o Yuji foram a Manaus comprar uma nova máquina. Compraram um motor SKANDIA de 10 HP diesel. Era um motor de 2 tempo de cabeça quente, ou seja, era preciso aquecer o cabeçote para funcionar o motor. Essa compra foi feita na época de férias, assim papai, eu, Yuji e o Eduardo fomos até Oriximiná para fazer a substituição do motor. Passamos alguns dias nessa localidade que era próximo da cidade de Oriximiná para fazer o serviço. O Beija Flor com a nova maquina ficou ótimo, não deu mais os tais pregos e passou a funcionar muito bem com toda segurança e confiabilidade.


Depois de mais alguns anos, papai mandou fazer uma reforma e trocou toda parte superior do barco. Fez a parte de comando bem mais alta e por causa desse detalhe o Beija Flor recebeu o apelido de Capelinha. Com passar dos anos e o envelhecimento da madeira, papai achou que era preciso trocar o casco da embarcação e mandou construir um novo casco e nele colocou o motor Skandia e mudou o nome para SKANDIA. O novo casco era menor porem mais estável, mais veloz e mais bonito.

Com a evolução dos trabalhos de papai, ele sentiu a necessidade de uma embarcação maior. Vendeu o Skandia e comprou um outro maior dando o nome de MARCIA, tinha um motor Yanmar de 30 hp, diesel de 4 tempo. Nessa época já estava em Belém, mas nas férias ainda cheguei a navegar varias vezes no Márcia.

Alguns anos depois papai colocou essa maquina em um outro casco e o casco do Márcia foi transferido para o Yuji que tem uma oficina mecânica em Obidos. O Yuji colocou um outro motor nesse barco. O novo barco do papai eu não conheci.

Numa de minhas viagens pelo Baixo Amazonas, quando meus pais já tinham se transferido para Belém, fiz com o Yuji uma viagem de Obidos para Juruti. Na ida tudo correu bem mas para voltar o motor não quis funcionar e eu tive que pegar um barco da ENASA para voltar para Obidos. O Yuji ficou consertando o seu barco. Quando fiz essa viagem para Juruti, a frente da cidade ainda não havia caído.