Capitulo 16 - Dom Amando
Em 1949, tinha voltado de São Joaquim e estava com treze anos. Meus pais viram que eu precisava estudar e como os filhos de muitos amigos japoneses já estavam estudando em Santarém, no Ginásio Dom Amando, que tinha otimas referencias e também tinha internato, eles decidiram que eu iria estudar nessa escola. Papai me levou para Santarém, fiz um teste no D. Amando e fui aprovado para cursar o segundo ano primário e eu fui matriculado no internato.
Para ser interno no D. Amando era preciso que uma família residente na cidade fosse responsável pelo interno. A família Iida que era amiga de meus pais aceitou essa incumbência e foi responsável por mim e depois pelo Yuji. Essa família também foi responsável por outros internos, como os filhos da família Harada, Kamijo, etc.. A dona Iida era uma senhora muito boa e muito carinhosa com todos os filhos de japoneses vindo do interior.
Como fui criado no interior, tinha pouco contato com outras pessoas de minha idade, somente com meus irmãos, filhos dos sócios e dos trabalhadores. `É verdade que passei quase um ano no São Joaquim, quando pela primeira vez fiquei longe de casa e longe de meus pais.
Quando cheguei em Santarém, tudo era novo, a cidade me pareceu enorme, com muita gente e bem diferente de tudo o que já tinha visto. O Ginásio D. Amando era grande com muitos alunos, pessoas que não conhecia. No inicio foi difícil me acostumar e me adaptar a nova vida, as normas do internato, as regras, o cumprimento de horário, acordar cedo, assistir missa, tomar café da manhã e depois assistir as aulas, dava um desespero muito grande, uma vontade de chorar, de fugir e de voltar para casa. Foi uma experiência nova, inicialmente dolorosa, mas necessária para o meu amadurecimento. Com o tempo fui me acostumando, me adaptando e vi que a realidade não era tão ruim e que foi muito bom para o meu desenvolvimento, meu crescimento e constatar que o mundo é muito maior, que existem muitas coisa novas e desconhecidas, que precisamos conhecer, observar e enfrentar.
Ate chegar em Santarém, eu não seguia nenhuma religião. O Ginásio D. Amando é uma escola católica e meus pais não se opuseram para que eu recebesse os ensinamentos dessa religião . Em meado desse ano fui batizado e dona Iida com seu esposo foram meus padrinhos.
Nos domingos íamos assistir a missa na igreja matriz, depois tomávamos o café da manhã em seguida éramos liberados para passar o dia na casa do nosso responsável. Aproveitávamos o dia para assistir um cinema ou ver jogo de futebol, visitar amigos e passear na praça.
A época junina era aguardada com muita ansiedade e alegria, pois era uma época muito boa, muito animada com os festejos de S. João, as fogueiras, os foguetes, as brincadeiras, a comida típica e o principal, era o prenuncio das férias, quando cada aluno interno voltava para sua casa no interior.
O meio de transporte nessa época era muito difícil. Não havia viagem regular e nem frequente entre as cidades do interior, tínhamos que aproveitar as viagens dos regatões e como são comerciantes eles param em todos os lugares e por isso as viagens se tornam demoradas. Algumas vezes não encontrávamos viagem direta, então tínhamos que fazer conexões. Cheguei a fazer viagem, indo de Santarém para Alenquer aí pegar outra embarcação para Obidos e depois outra para Juruti. Nessas viagens perdíamos quase uma semana viajando.
Lembro muito bem de uma viagem que fiz de Beija Flor para Santarém, que durou uma semana. De casa o regatão foi para o Trombetas embarcar mercadorias, depois foi para Oriximiná em seguida para Obidos, Alenquer e finalmente para Santarém. Foi bastante demorada. Uma viagem direta não dura mais que 24 horas.
Os regatões, normalmente não levam passageiros, mas me levavam por que tinham negócios com papai e não negavam um pedido dele. No regatão era bem tratado e tinha todo conforto.
A primeira viagem que fiz para Santarém foi com papai, no regatão São Cláudio. A viagem foi normal e durou mais de um dia. Tive oportunidade para ver novas paisagens, novas cidades como Obidos, Alenquer e finalmente Santarém. O que mais gostava de observar durante a viagem era acompanhar o trabalho do maquinista, ver tudo o que ele fazia no motor, ver o motor em pleno funcionamento.
Durante o período que estudei no Ginásio D. Amando, estudei bastante mas também me diverti muito. Conheci novos lugares como Belterra, Fordlandia, Monte Alegre, Oriximiná, Obidos, Alenquer, etc.
As viagens eram organizadas e programadas para coincidir com os festejos da padroeira da cidade. Normalmente assistíamos a missa na matriz e apresentávamos um numero musical na igreja depois visitávamos os pontos turísticos e históricos como o forte de Obidos. A tarde participávamos de um jogo de futebol ou vôlei e a noite íamos passear na praça.
No internato, quase todas as tardes jogávamos futebol. O time era formado na hora. Eu gostava de jogar na defesa, era o beque, como dizíamos. Eu não era um bom jogador mas conseguia defender bem a minha área. O Yuji jogava bem melhor. O Eduardo fazia parte de meu time, não era muito bom. Um outro esporte que gostava de praticar era a ginástica em barra fixa. Vôlei ou basquete eu não cheguei a praticar.
Na verdade foi um período muito bom de minha vida. Foi a transição entre a infância e a maturidade, foi a mudança da vida de uma criança para a vida de uma pessoa independente e amadurecida, que já precisa tomar suas próprias decisões.
Para ser interno no D. Amando era preciso que uma família residente na cidade fosse responsável pelo interno. A família Iida que era amiga de meus pais aceitou essa incumbência e foi responsável por mim e depois pelo Yuji. Essa família também foi responsável por outros internos, como os filhos da família Harada, Kamijo, etc.. A dona Iida era uma senhora muito boa e muito carinhosa com todos os filhos de japoneses vindo do interior.
Como fui criado no interior, tinha pouco contato com outras pessoas de minha idade, somente com meus irmãos, filhos dos sócios e dos trabalhadores. `É verdade que passei quase um ano no São Joaquim, quando pela primeira vez fiquei longe de casa e longe de meus pais.
Quando cheguei em Santarém, tudo era novo, a cidade me pareceu enorme, com muita gente e bem diferente de tudo o que já tinha visto. O Ginásio D. Amando era grande com muitos alunos, pessoas que não conhecia. No inicio foi difícil me acostumar e me adaptar a nova vida, as normas do internato, as regras, o cumprimento de horário, acordar cedo, assistir missa, tomar café da manhã e depois assistir as aulas, dava um desespero muito grande, uma vontade de chorar, de fugir e de voltar para casa. Foi uma experiência nova, inicialmente dolorosa, mas necessária para o meu amadurecimento. Com o tempo fui me acostumando, me adaptando e vi que a realidade não era tão ruim e que foi muito bom para o meu desenvolvimento, meu crescimento e constatar que o mundo é muito maior, que existem muitas coisa novas e desconhecidas, que precisamos conhecer, observar e enfrentar.
Ate chegar em Santarém, eu não seguia nenhuma religião. O Ginásio D. Amando é uma escola católica e meus pais não se opuseram para que eu recebesse os ensinamentos dessa religião . Em meado desse ano fui batizado e dona Iida com seu esposo foram meus padrinhos.
Nos domingos íamos assistir a missa na igreja matriz, depois tomávamos o café da manhã em seguida éramos liberados para passar o dia na casa do nosso responsável. Aproveitávamos o dia para assistir um cinema ou ver jogo de futebol, visitar amigos e passear na praça.
A época junina era aguardada com muita ansiedade e alegria, pois era uma época muito boa, muito animada com os festejos de S. João, as fogueiras, os foguetes, as brincadeiras, a comida típica e o principal, era o prenuncio das férias, quando cada aluno interno voltava para sua casa no interior.
O meio de transporte nessa época era muito difícil. Não havia viagem regular e nem frequente entre as cidades do interior, tínhamos que aproveitar as viagens dos regatões e como são comerciantes eles param em todos os lugares e por isso as viagens se tornam demoradas. Algumas vezes não encontrávamos viagem direta, então tínhamos que fazer conexões. Cheguei a fazer viagem, indo de Santarém para Alenquer aí pegar outra embarcação para Obidos e depois outra para Juruti. Nessas viagens perdíamos quase uma semana viajando.
Lembro muito bem de uma viagem que fiz de Beija Flor para Santarém, que durou uma semana. De casa o regatão foi para o Trombetas embarcar mercadorias, depois foi para Oriximiná em seguida para Obidos, Alenquer e finalmente para Santarém. Foi bastante demorada. Uma viagem direta não dura mais que 24 horas.
Os regatões, normalmente não levam passageiros, mas me levavam por que tinham negócios com papai e não negavam um pedido dele. No regatão era bem tratado e tinha todo conforto.
A primeira viagem que fiz para Santarém foi com papai, no regatão São Cláudio. A viagem foi normal e durou mais de um dia. Tive oportunidade para ver novas paisagens, novas cidades como Obidos, Alenquer e finalmente Santarém. O que mais gostava de observar durante a viagem era acompanhar o trabalho do maquinista, ver tudo o que ele fazia no motor, ver o motor em pleno funcionamento.
Durante o período que estudei no Ginásio D. Amando, estudei bastante mas também me diverti muito. Conheci novos lugares como Belterra, Fordlandia, Monte Alegre, Oriximiná, Obidos, Alenquer, etc.
As viagens eram organizadas e programadas para coincidir com os festejos da padroeira da cidade. Normalmente assistíamos a missa na matriz e apresentávamos um numero musical na igreja depois visitávamos os pontos turísticos e históricos como o forte de Obidos. A tarde participávamos de um jogo de futebol ou vôlei e a noite íamos passear na praça.
No internato, quase todas as tardes jogávamos futebol. O time era formado na hora. Eu gostava de jogar na defesa, era o beque, como dizíamos. Eu não era um bom jogador mas conseguia defender bem a minha área. O Yuji jogava bem melhor. O Eduardo fazia parte de meu time, não era muito bom. Um outro esporte que gostava de praticar era a ginástica em barra fixa. Vôlei ou basquete eu não cheguei a praticar.
Na verdade foi um período muito bom de minha vida. Foi a transição entre a infância e a maturidade, foi a mudança da vida de uma criança para a vida de uma pessoa independente e amadurecida, que já precisa tomar suas próprias decisões.
